Muitas pessoas acreditam que ter empatia é saber exatamente aquilo que outra pessoa está a sentir.
Como se, para compreendermos verdadeiramente a dor de alguém, precisássemos de ter vivido a mesma experiência.
Mas a empatia não é sentir o mesmo.
É estar disponível para compreender.
É tentar olhar para a experiência do outro a partir da sua perspetiva, reconhecendo que cada pessoa sente, interpreta e reage às situações de forma diferente.
Na Psicologia, a empatia desempenha um papel importante nas relações humanas e na saúde mental. Sentirmo-nos escutados, compreendidos e emocionalmente validados pode contribuir para a construção de relações mais seguras e para diminuir a sensação de isolamento que tantas vezes acompanha os momentos de sofrimento.
O que significa ter empatia?
Ter empatia não significa concordar com tudo aquilo que outra pessoa pensa, sente ou faz.
Também não significa que conseguimos compreender completamente uma experiência que nunca vivemos.
Significa, antes, sermos capazes de reconhecer que aquilo que a outra pessoa está a sentir é real e significativo para ela.
Podemos não compreender totalmente o medo de alguém e, ainda assim, reconhecer que essa pessoa está assustada.
Podemos considerar que reagiríamos de forma diferente perante determinada situação e, ainda assim, respeitar a tristeza, a ansiedade ou a frustração de quem está à nossa frente.
É esta capacidade de reconhecer a experiência emocional do outro, sem a reduzir à nossa própria experiência, que torna a empatia tão importante.
Empatia não é resolver o problema
Quando alguém de quem gostamos está a sofrer, é natural sentirmos vontade de ajudar.
E, muitas vezes, ajudar significa, para nós, encontrar uma solução.
Damos conselhos.
Tentamos explicar o que a pessoa deve fazer.
Procuramos mostrar-lhe o lado positivo.
Dizemos que tudo vai ficar bem.
Ou contamos uma experiência semelhante que vivemos, numa tentativa de mostrar que compreendemos.
Estas respostas podem surgir das melhores intenções. Mas nem sempre correspondem àquilo de que a pessoa precisa naquele momento.
Por vezes, antes de procurar uma solução, precisamos simplesmente de sentir que alguém reconhece aquilo que estamos a viver.
Precisamos de espaço para falar.
Para organizar aquilo que sentimos.
Para sermos ouvidos sem interrupções, julgamentos ou pressa.
A empatia começa, muitas vezes, precisamente aí.
Na capacidade de estar presente sem sentir que temos obrigatoriamente de “consertar” aquilo que o outro está a sentir.
Escuta ativa e validação emocional: duas formas de demonstrar empatia
A escuta ativa implica mais do que permanecer em silêncio enquanto outra pessoa fala.
Significa prestar atenção genuína ao que está a ser dito, procurar compreender e demonstrar disponibilidade para ouvir.
Podemos fazê-lo através de gestos simples: não interromper constantemente, fazer perguntas quando queremos compreender melhor, evitar mudar imediatamente de assunto e dar espaço para que a pessoa encontre as suas próprias palavras.
A validação emocional é igualmente importante.
Validar uma emoção não significa dizer que concordamos com tudo.
Significa reconhecer que, perante a experiência daquela pessoa, aquilo que ela sente merece ser escutado.
Frases como “consigo perceber que isto está a ser difícil para ti” ou “parece que esta situação te deixou mesmo triste” podem transmitir algo muito importante:
“Eu estou aqui. Estou a ouvir-te. Aquilo que sentes importa.”
Quando tentamos ajudar, mas acabamos por invalidar
Nem sempre é fácil permanecer perante o sofrimento de outra pessoa.
O desconforto pode levar-nos a tentar afastar rapidamente a emoção.
Podemos dizer:
“Não penses nisso.”
“Podia ser pior.”
“Tens de ser forte.”
“Vê o lado positivo.”
“Isso vai passar.”
Embora estas frases possam ser ditas com a intenção de confortar, podem transmitir a ideia de que aquela emoção é exagerada, inadequada ou deve desaparecer rapidamente.
A pessoa pode acabar por sentir que, além de estar triste, ansiosa ou assustada, também não deveria sentir-se assim.
A empatia permite uma resposta diferente.
Em vez de tentar retirar imediatamente a emoção, podemos ajudar a criar um espaço onde ela possa existir e ser compreendida.
Como podemos desenvolver uma comunicação mais empática?
A empatia pode estar presente em pequenos gestos do dia a dia.
🤍 Escutar sem interromper ou preparar imediatamente uma resposta.
🤍 Validar emoções, mesmo quando não compreendemos totalmente aquilo que a pessoa está a sentir.
🤍 Demonstrar curiosidade genuína pela experiência do outro.
🤍 Perguntar “O que precisas de mim neste momento?” em vez de assumir que sabemos como ajudar.
🤍 Estar presente sem tentar resolver imediatamente o problema.
🤍 Evitar comparações com as nossas próprias experiências ou com o sofrimento de outras pessoas.
🤍 Respeitar o tempo e o ritmo de cada pessoa.
Estes gestos podem parecer simples, mas transmitem uma mensagem fundamental: aquilo que a outra pessoa está a viver merece espaço.
A importância da empatia para a saúde mental
O sofrimento psicológico pode ser acompanhado por uma profunda sensação de solidão.
Por vezes, não é apenas aquilo que estamos a viver que dói.
É sentir que ninguém compreende.
Que não podemos falar.
Que seremos julgados.
Ou que precisamos de esconder aquilo que sentimos para não incomodar os outros.
Quando encontramos alguém capaz de estar presente, ouvir e acolher a nossa experiência sem julgamento, algo importante pode acontecer.
O problema pode continuar a existir.
A tristeza pode não desaparecer.
A situação pode continuar sem uma solução imediata.
Mas deixamos, por momentos, de carregar tudo sozinhos.
É por isso que a empatia pode ter um papel tão importante nas relações interpessoais, familiares e sociais.
Não porque elimine o sofrimento, mas porque pode diminuir o isolamento que tantas vezes o acompanha.
Empatia é presença
Nem sempre precisamos de encontrar as palavras certas.
Nem sempre precisamos de saber o que fazer.
E não precisamos de ter vivido a mesma experiência para estarmos disponíveis para alguém.
Por vezes, podemos simplesmente dizer:
“Não sei exatamente o que estás a sentir, mas estou aqui para te ouvir.”
Porque a empatia não é saber exatamente aquilo que o outro sente.
É reconhecer que existe uma experiência que merece ser escutada.
É aproximarmo-nos com curiosidade em vez de julgamento.
É compreender que cada pessoa tem a sua história, o seu contexto e a sua forma de sentir.
A empatia não elimina a dor.
Mas pode diminuir a sensação de isolamento que tantas vezes a acompanha.
Porque, muitas vezes, aquilo de que precisamos não é encontrar imediatamente uma solução.
É descobrir que não estamos sozinhos naquilo que sentimos.
Consegue lembrar-se de uma situação em que alguém o ajudou simplesmente por estar presente e ouvir?