Dra. Margarida Martins

Overthinking: quando pensar deixa de ajudar

Pensar é uma das nossas maiores ferramentas.
É através do pensamento que refletimos, tomamos decisões, antecipamos cenários e damos sentido ao que vivemos.

Mas… e quando pensar se torna demais?

Quando os pensamentos começam a repetir-se, a intensificar-se e a ocupar um espaço constante na nossa mente, podemos entrar num ciclo conhecido como overthinking, ou, de forma mais simples, “pensar em excesso”.

Não se trata apenas de pensar muito.
Trata-se de pensar de forma pouco produtiva, muitas vezes circular, sem chegar a conclusões que tragam alívio ou clareza.

Como reconhecer o overthinking?

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O overthinking pode manifestar-se de várias formas:

  • Rever conversas passadas repetidamente (“Porque é que disse aquilo?”)
  • Antecipar cenários negativos (“E se corre mal?”)
  • Dificuldade em tomar decisões, mesmo pequenas
  • Sensação de “mente cheia” ou cansada
  • Dificuldade em desligar, especialmente à noite

Muitas vezes, há a sensação de que estamos a tentar resolver algo mas, na prática, ficamos presos no próprio processo de pensar.

As desvantagens de pensar em excesso

Quando este padrão se torna frequente, pode ter impacto significativo no bem-estar emocional:

  • Aumenta os níveis de ansiedade
  • Dificulta a tomada de decisão
  • Alimenta dúvidas e inseguranças
  • Reduz a capacidade de concentração
  • Afasta-nos do momento presente
  • Pode contribuir para problemas de sono

Ou seja, aquilo que começa como uma tentativa de encontrar respostas pode acabar por gerar mais confusão e desgaste.

Porque é que fazemos overthinking?

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O overthinking não surge “do nada”.
Na maioria das vezes, está associado a uma tentativa de proteção.

Podemos pensar em excesso porque:

  • Queremos evitar erros
  • Tentamos antecipar o futuro
  • Procuramos controlo numa situação incerta
  • Temos dificuldade em lidar com a dúvida ou o desconforto

Ou seja, há uma intenção válida por trás: proteger-nos.
O problema é que, em vez de trazer segurança, este processo tende a aumentar a inquietação.

O que pode ajudar a moderar os pensamentos?

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Não se trata de “parar de pensar” — isso não é realista.
Trata-se de criar uma relação mais saudável com os pensamentos.

Algumas estratégias que podem ajudar:

1. Dar nome ao processo
Reconhecer: “Estou a entrar em overthinking”
→ ajuda a criar distância e consciência

2. Escrever os pensamentos
Passar para o papel ajuda a organizar ideias e reduzir a repetição mental

3. Definir limites para pensar
Por exemplo, reservar um momento específico para refletir sobre algo

4. Trazer a atenção ao presente
Focar na respiração, no corpo ou no ambiente à tua volta

5. Passar à ação
Mesmo pequenas ações podem quebrar o ciclo de pensamento

Reflexão final

Pensar é importante.
Mas viver constantemente dentro dos pensamentos pode afastar-nos da experiência real da vida.

Nem todos os pensamentos precisam de resposta.
Nem todas as dúvidas precisam de ser resolvidas imediatamente.

Às vezes, o mais útil não é pensar mais —
é criar espaço para sentir, agir e simplesmente estar.

Se sentes que o overthinking é algo frequente na tua vida e está a afetar o teu bem-estar, procurar apoio psicológico pode ser um passo importante.

Dra. Margarida Martins