Dra. Margarida Martins

Burnout parental: quando ser pai ou mãe se torna emocionalmente esgotante

Quando se fala em burnout parental, pensamos, muitas vezes, no cansaço provocado pelas exigências diárias de cuidar dos filhos.

Mas o burnout parental vai muito além de estar cansado.

É um estado de exaustão física e emocional associado ao papel de pai ou mãe. Pode surgir quando as exigências da parentalidade se prolongam no tempo e ultrapassam os recursos que a pessoa sente ter disponíveis para lhes responder.

A pessoa pode sentir que está constantemente no limite, que já não consegue dar mais e que perdeu o prazer que antes encontrava na relação com os filhos.

O que é o burnout parental?

O burnout parental é uma forma específica de esgotamento relacionada com a parentalidade.

Não significa falta de amor pelos filhos, nem quer dizer que a pessoa seja um mau pai ou uma má mãe. Significa que existe um nível de desgaste emocional que precisa de ser reconhecido e cuidado.

De acordo com o modelo do equilíbrio entre riscos e recursos desenvolvido por Mikolajczak e Roskam, este desgaste pode surgir quando os desafios associados à parentalidade ultrapassam, de forma prolongada, os recursos pessoais, familiares e sociais de que os pais dispõem para lhes responder.

Quanto maiores forem as exigências e menor for o apoio, o descanso ou a possibilidade de recuperar, maior poderá ser o risco de exaustão parental.O que é o burnout parental?

O burnout parental é uma forma específica de esgotamento relacionada com a parentalidade.

Não significa falta de amor pelos filhos, nem quer dizer que a pessoa seja um mau pai ou uma má mãe. Significa que existe um nível de desgaste emocional que precisa de ser reconhecido e cuidado.

De acordo com o modelo do equilíbrio entre riscos e recursos desenvolvido por Mikolajczak e Roskam, este desgaste pode surgir quando os desafios associados à parentalidade ultrapassam, de forma prolongada, os recursos pessoais, familiares e sociais de que os pais dispõem para lhes responder.

Quanto maiores forem as exigências e menor for o apoio, o descanso ou a possibilidade de recuperar, maior poderá ser o risco de exaustão parental.

Quais são os sinais de burnout parental?

Os sinais podem variar de pessoa para pessoa, mas existem algumas manifestações frequentes:

  • Sensação de cansaço constante, mesmo depois de descansar;
  • Sentimento de estar emocionalmente esgotado;
  • Irritabilidade ou impaciência frequentes com os filhos;
  • Sensação de funcionar em “piloto automático”;
  • Perda de prazer na parentalidade;
  • Distanciamento emocional em relação aos filhos;
  • Culpa por sentir que já não se consegue estar presente;
  • Dificuldade em responder às exigências do dia a dia;
  • Sensação de já não se ser o pai ou a mãe que se era anteriormente;
  • Vontade de se afastar temporariamente das responsabilidades parentais.

Estes sinais não devem ser vistos como uma falha pessoal. Podem indicar que as exigências estão a ultrapassar os recursos disponíveis naquele momento.

O que pode aumentar o risco de burnout parental?

Não existe uma única causa para o burnout parental. Habitualmente, o esgotamento desenvolve-se através da acumulação de diferentes fatores.

Entre os fatores que podem aumentar o desgaste encontram-se:

  • O perfeccionismo;
  • As expectativas demasiado elevadas em relação à parentalidade;
  • A pressão para corresponder à imagem de “pai perfeito” ou “mãe perfeita”;
  • A dificuldade em pedir ou aceitar ajuda;
  • A falta de apoio familiar e social;
  • Os conflitos familiares ou conjugais;
  • As dificuldades económicas;
  • A sobrecarga profissional;
  • A ausência de tempo para descansar;
  • As necessidades específicas de um filho ou de outro elemento da família;
  • A dificuldade em aceitar que a parentalidade — e os próprios filhos — nunca serão perfeitos.

Uma revisão sistemática sobre o burnout parental e os fatores associados reforça que este fenómeno está relacionado com a combinação de diferentes características pessoais, familiares e sociais, e não apenas com uma dificuldade isolada.

Muitos pais vivem com a ideia de que deveriam conseguir gerir tudo: cuidar dos filhos, trabalhar, organizar a casa, manter a relação conjugal e permanecer sempre emocionalmente disponíveis.

Quando não conseguem corresponder a esta expectativa, podem surgir sentimentos de culpa, inadequação ou fracasso.

O impacto do perfeccionismo na parentalidade

Querer fazer o melhor pelos filhos é natural. O problema surge quando esse desejo se transforma numa exigência permanente de perfeição.

O perfeccionismo pode levar os pais a estabelecer padrões muito difíceis de alcançar, tanto para si próprios como para os filhos. Cada erro pode ser vivido como uma falha grave e cada dificuldade como uma prova de incompetência.

Um estudo sobre os fatores de risco para o burnout parental identificou o perfeccionismo socialmente prescrito como um fator particularmente relevante. Este tipo de perfeccionismo corresponde à sensação de que os outros esperam que sejamos pais perfeitos e de que estamos constantemente a ser avaliados na forma como educamos os nossos filhos.

Talvez por isso, em alguns momentos, o primeiro passo não seja tentar fazer mais.

Pode ser necessário começar a fazer diferente.

Educar um filho não é criar a criança que imaginámos. É acompanhar a criança real, com a sua personalidade, o seu ritmo, as suas dificuldades, os seus interesses e as suas potencialidades.

Este processo pode implicar deixar partir algumas das expectativas construídas sobre quem o filho seria — uma experiência que abordo no artigo “Luto pelo filho idealizado: quando amar também significa deixar partir expectativas”.

Aceitar os filhos não significa dizer “sim” a tudo

Aceitar um filho tal como ele é não significa permitir todos os comportamentos ou abdicar da responsabilidade de educar.

As crianças precisam de regras, limites e orientação. Precisam de aprender a respeitar os outros, a lidar com a frustração, a assumir responsabilidades e a compreender as consequências das suas escolhas.

Contudo, tudo isto pode acontecer sem que sintam que precisam de mudar quem são para merecer o amor, a atenção ou a aprovação dos pais.

É possível estabelecer limites e, ao mesmo tempo, preservar a ligação emocional. É possível corrigir um comportamento sem rejeitar a criança.

A mensagem pode ser:

“Este comportamento não é aceitável.”

Sem se transformar em:

“Tu não és aceitável.”

Ser um bom pai ou uma boa mãe não exige perfeição

Aceitar as imperfeições da parentalidade não significa desistir de ser um bom pai ou uma boa mãe.

Significa compreender que educar não exige respostas perfeitas em todos os momentos.

Exige presença, disponibilidade para aprender e capacidade para reconhecer e reparar os erros quando acontecem.

Todos os pais se irritam, se cansam, têm dúvidas e, por vezes, reagem de uma forma diferente daquela que gostariam. A qualidade da relação não depende da ausência completa de falhas, mas também da possibilidade de voltar atrás, conversar, pedir desculpa e reconstruir a ligação.

A reparação ajuda a criança a compreender que as relações podem sobreviver aos conflitos e que os erros não anulam o afeto.

Como tornar a parentalidade mais leve?

Nem sempre é possível reduzir imediatamente as exigências da vida. No entanto, algumas mudanças podem ajudar a recuperar recursos e a diminuir o desgaste:

  • Rever expectativas demasiado elevadas;
  • Aceitar ajuda sem interpretar essa necessidade como uma fraqueza;
  • Dividir responsabilidades sempre que possível;
  • Identificar quais são as exigências verdadeiramente essenciais;
  • Reservar momentos de descanso e recuperação;
  • Conversar sobre as dificuldades sem vergonha ou culpa;
  • Fortalecer a rede de apoio familiar, social ou comunitária;
  • Reconhecer os próprios limites;
  • Aceitar que cada criança tem o seu ritmo e a sua individualidade;
  • Procurar apoio psicológico quando o sofrimento é persistente.

Cuidar de quem cuida não é um luxo nem um ato de egoísmo. É uma parte importante da proteção da saúde mental de toda a família.

Quando procurar apoio psicológico?

Pode ser importante procurar ajuda quando a exaustão se mantém ao longo do tempo, interfere com o funcionamento diário ou afeta significativamente a relação com os filhos.

O apoio psicológico pode ajudar a compreender os fatores que estão a contribuir para o desgaste, rever expectativas, desenvolver estratégias de regulação emocional e encontrar formas mais equilibradas de viver a parentalidade.

Não é necessário esperar que a situação se torne insustentável para pedir apoio.

Por vezes, o primeiro passo é reconhecer que ninguém consegue responder sozinho a todas as exigências.

Nem sempre conseguimos diminuir as dificuldades da vida. Mas podemos aprender a reduzir a exigência que colocamos sobre nós próprios e sobre os nossos filhos.

E essa mudança pode tornar a parentalidade num lugar um pouco mais leve.

Dra. Margarida Martins