Dra. Margarida Martins

Quando procurar terapia (e o que esperar desse processo)

Durante muito tempo, a ideia de procurar apoio psicológico esteve associada a momentos de crise profunda. Hoje sabemos que a terapia não é apenas para “quando já não dá mais”, pode e deve ser, também, um espaço de crescimento, compreensão e cuidado.

Mas, quando faz sentido procurar terapia?

Situações em que a terapia pode ajudar

Nem sempre há um “grande motivo”. Às vezes, é uma sensação persistente de que algo não está bem. Outras vezes, há situações mais claras:

  • Quando sentimos ansiedade constante, preocupação excessiva ou dificuldade em desligar
  • Quando estamos a passar por momentos de vida exigentes (luto, separações, mudanças, diagnóstico de doença)
  • Quando há dificuldades nas relações (familiares, amorosas ou profissionais)
  • Quando sentimos tristeza prolongada, vazio ou falta de motivação
  • Quando há dificuldade em lidar com emoções (raiva, frustração, culpa)
  • Quando queremos compreender melhor padrões repetitivos na nossa vida
  • Quando sentimos que estamos “a funcionar”, mas não verdadeiramente bem

A terapia também pode ser muito útil mesmo sem sofrimento intenso — por exemplo, para trabalhar autoestima, desenvolver competências emocionais ou simplesmente parar e refletir.

Em muitos casos, o mais importante não é “a gravidade”, mas sim a forma que impacta o nosso dia-a-dia.

E como funciona a terapia?

Para quem nunca esteve em terapia, é natural que surjam algumas incertezas.

A terapia é um processo colaborativo entre o psicólogo e a pessoa. Não é um espaço de julgamento, nem um lugar onde alguém “diz o que fazer”.

É, acima de tudo, um espaço onde podes:

  • Falar livremente sobre o que estás a viver
  • Explorar pensamentos, emoções e comportamentos
  • Encontrar novos significados e perspetivas
  • Desenvolver estratégias para lidar com dificuldades

O que acontece nas primeiras sessões?

As primeiras sessões são geralmente de avaliação e conhecimento mútuo.

O psicólogo procura compreender:

  • O que te traz à terapia
  • O teu contexto de vida
  • A tua história e experiências relevantes

E, em conjunto, vão sendo definidos objetivos — que podem mudar ao longo do tempo.

Quanto tempo dura a terapia?

Não há uma resposta única.

A terapia pode ser:

  • Mais breve, focada numa questão específica
  • Mais prolongada, quando há temas mais profundos ou padrões antigos a trabalhar

O ritmo é sempre ajustado à pessoa.

Um espaço para ti

Talvez uma das ideias mais importantes seja esta:

A terapia não é um sinal de fraqueza.
É, muitas vezes, um sinal de consciência e coragem.

Procurar ajuda é reconhecer que não temos de lidar com tudo sozinhos.

Se sentes que algo dentro de ti pede atenção, talvez seja um bom momento para parar e dar atenção a esses sinais.

E, se fizer sentido, pedir apoio.

Dra. Margarida Martins